quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

2,4 milhões



Esse será o valor investido, segundo o jornal Folha SC de 18 de janeiro, na oitava edição do Festival de Música de Santa Catarina.

Soma-se a isso o valor das inscrições dos participantes, que novamente esse ano varia de 500 a 800. A cada dia os jornais divulgam uma quantidade diferente.

Calculando pelo valor mínimo de 500 participantes inscritos, a uma taxa de 400 reais por músico, têm-se 200 mil reais só de inscrições. Montante esse acumulado já no ano passado, afinal a confirmação da inscrição depende do depósito.

Ultrapassa 2,5 milhões de reais.

Comparado ao orçamento de uma OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), aproximadamente 84 milhões de reais por ano, o FEMUSC aparenta ser um festival “barato”.

Pode-se deduzir pelos números que esses 2,5 milhões corresponderiam a uma semana de trabalho da OSESP, dividindo pelas semanas úteis do ano. Aqui em Jaraguá isso corresponde a 2 semanas.

Fala-se em mais de 200 concertos, dividindo 2,5 milhões de reais por 200 temos cada concerto custando em média mais de 10 mil reais.

A reportagem fala em 450 empregos diretos criados na região. Emprego direto e trabalho temporário de duas ou três semanas por um acaso são a mesma coisa? Alguém vai registrar um funcionário com carteira assinada para 3 semanas de trabalho?

Se somarmos esses 450 “empregos” aos 50 professores (estou arredondando e sempre para menos) temos 500 funcionários para 500 alunos. Média boa, 1 funcionário por aluno.

Será que alguma pessoa vai conseguir assistir todos os 200 concertos? Por falta de dinheiro não vai ser porque todos os concertos serão gratuitos, mas haverá tempo hábil para isso?

Não tá na hora do FEMUSC entrar para o Guinness Book pelo maior número de concertos realizados num curto espaço de tempo?

Lembrei dessa notícia aqui:


Ela apresenta alguns números do programa Cultura nos bairros de 2011 e 2012. Os dois parágrafos seguintes me chamaram a atenção:

Em 2012, o programa, que está em sua quarta edição, investiu R$ 70 mil com a aquisição de instrumento musicais, confecção de figurinos, cenários, transporte, camisetas, locações, filmagens, divulgação e edição, envolvendo cerca de 870 alunos de 15 escolas municipais, um centro de educação infantil e o Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas I).

Em 2011, foram 15 as instituições atendidas, das quais 13 escolas municipais, beneficiando 890 crianças e adolescentes, num investimento total de R$ 33.500,00. As aulas de capoeira movimentaram 393 crianças e adolescentes; as de teatro, 210; as da banda estudantil, 150; e as de dança, 145 estudantes.

É interessante que tivemos 1.760 alunos nos dois anos. Claro que muitos alunos de 2011 continuaram em 2012. Mas o que me chamou a atenção mesmo foram os valores.

Nos dois anos do programa foram investidos R$ 103.500,00 (cento e três mil e quinhentos reais). O que dá um valor aproximado de 60 reais por aluno. Um valor bem abaixo do praticado pelas escolas de músicas da cidade. Destaca-se que o programa proporcionava atividades durante meses e se apresentava em datas comemorativas.

Os bairros beneficiados pelo programa eram bairros mais retirados do centro da cidade e o projeto contava com a participação de apenas 4 professores. 870 alunos para 4 professores.

Nessa postagem eu questionei a contratação do professor de música envolvido nesse programa: http://www.ederw.blogspot.com.br/2012/03/projetos-de-incentivo-musica-e-cultura.html

Agora pergunto: Qual a lógica de Jaraguá do Sul investir 150 mil reais num projeto de 2 semanas quando não investe esse valor num projeto de 1 ano? 500 funcionários para atender pessoas do mundo todo em 2 semanas e para o resto do ano apenas 4 professores?

Tudo bem, o pessoal do FEMUSC, digo Alex Klein, tem o mérito de trazer um projeto desse porte para cá. Só que em 8 anos, ninguém em Jaraguá foi capaz de apresentar um projeto semelhante ao Projeto Guri/Santa Marcelina em São Paulo ou El Sistema na Venezuela?

O FEMUSC demonstra claramente, com esses 2,4 milhões de reais, que Santa Catarina e Jaraguá do Sul têm condições de bancar um projeto desse porte.

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